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Marília Cafe
Escrevo cartas, ensaios, poemas e anotações sobre literatura, tempo, cafés e os caminhos da escrita. Algumas cartas permanecem aqui. Outras chegam primeiro à caixa de entrada de quem decidiu acompanhá-las.
Biotipo
Augusta escolheu seu nome por causa da rua, famosa por seus bares e sua vida noturna e o que as duas tinham mais em comum: a extravagância. Conseguiu se fixar em um bairro da Zona Oeste da capital. Investiu todas as suas economias na compra de um açougue e conseguiu, junto com a freguesia, uma quantidade razoável de amigos. Júlio era o mais chegado, com quem Augusta dividia todos os segredos. Augusta ficava quase o tempo todo no açougue. Não pegava em facas, dizia ter horro
Fofoca
Este lugar aqui já serviu de desova. É interessante pensar nisso porque é um parque dentro da cidade. Descobriram os corpos de uma forma muito simples. Um cachorro de rua entrou aqui e ganhou comida de uma pessoa que estava andando por aí. O cachorro comeu um pouco e foi enterrar o resto da comida. Fez um buraco na terra. Se empolgou. A pessoa que deu a comida não entendeu o cachorro cavoucando a terra enlouquecidamente e chegou perto pra ver. Era a ponta de um osso que já es
Aquele menino
Ele nasce de mim, para mim, comigo. E para ele eu nasço quando abro os olhos, ao longe, bem perto. De alguma forma, aquele menino sou eu. E, sobre antes dele, não sei de nada. Em algum momento a gente se viu no espaço-tempo de uma dimensão onde as horas não existem. A história do mundo que ele me contou não foi nova o suficiente. Abriu pontos na minha cabeça, com certeza abriu. Cavoucou coisas dentro de mim que eu sabia que existiam adormecidas. É como se algumas das suas lem
Estar no “entre”
Será que a nossa geração tenha sido a última a aprender o mundo devagar? Pancas, interior do Espírito Santo, 1996. Seis e quarenta da manhã. Café adoçado, pão com manteiga e a televisão recém-ligada, canal ajustado no receptor para parabólica da Tecsat anunciando o início da programação infantil. A casa ainda despertando devagar. O barulho dos talheres. As crianças passando na rua a caminho da escola. O mundo começando numa velocidade compreensível para o corpo. Havia tempo
Antes do livro, a caverna
Da criação da escrita até a chegada do livro impresso Se pararmos para pensar o que é um livro, deve vir a nossa mente, em algum momento, a relação entre um livro físico impresso (entendida como uma das técnicas de reprodução de textos), e formas de publicações alternativas, como manuscritos e zines, por exemplo. Com uma infinidade de possibilidades de materiais que simbolizam um produto livro, devemos levar em consideração a evolução e a revolução da impressão. Vamos volta
O que um café pode ensinar sobre revisão
Há alguns meses comecei a preparar café com mais atenção. Tem virado um hobbie. E, por sugestão, resolvi deixar isso acontecer na minha vida. Passei a anotar moagem, temperatura da água, proporção, tempo de extração. Mudei cliques no moinho. Esperei alguns segundos a mais entre um despejo e outro. Voltei ao caderno para registrar o que havia acontecido. Pode parecer uma frescura para muitos, mas, aos poucos, fui percebendo que o café não melhorava porque eu encontrava uma rec
Últimas correspondências
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