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Antes do livro, a caverna

Da criação da escrita até a chegada do livro impresso

 

Se pararmos para pensar o que é um livro, deve vir a nossa mente, em algum momento, a relação entre um livro físico impresso (entendida como uma das técnicas de reprodução de textos), e formas de publicações alternativas, como manuscritos e zines, por exemplo. Com uma infinidade de possibilidades de materiais que simbolizam um produto livro, devemos levar em consideração a evolução e a revolução da impressão. Vamos voltar um pouquinho na História, de forma bem resumida:

Na pré-história, com o desenvolvimento da escrita e a criação das primeiras cidades, estão também os primeiros registros existentes do desenvolvimento de uma escrita e a criação das primeiras cidades. A pintura, em cavernas, de situações cotidianas, foram os primeiros registros. Alguns milênios depois, com as civilizações da Mesopotâmia e do Egito é que a escrita saiu das cavernas e começou, assim, uma nova forma de transmissão de dados e informações.

Na Mesopotâmia, os povos sumérios começaram a escrita cuneiforme (uma escrita que é produzida com o auxílio de objetos em formato de cunha). Derivada de pictogramas (símbolos que representam objetos ou conceitos por meio de desenhos figurativos), eram desenhados caracteres pelo abstrato (ideogramas e fonogramas, por exemplo). Para escrever, os escribas pressionavam os caracteres em tabuletas de argila mole, que depois eram secas e cozidas. Por esse motivo foram preservados muitos documentos daquele período.

No Egito antigo, o rei Menes é considerado o precursor da escrita e unificação de um império. À escrita que marcava túmulos e templos foi conhecida como hieróglifo. Em 1520 a.C., surgiu o papiro e essa escrita começou a ser pintada nele, ficando mais bonita e tendo seu transporte facilitado. Mas, com o surgimento de muitos hieróglifos, acabou-se extinguindo esse tipo de escrita.

Na Mesopotâmia, os fenícios sobreviveram e dominaram o comércio, devido aos seus contatos com outros povos. E, justamente por esse contato, precisavam facilitar as comunicações entre eles; fundaram, assim, o alfabeto fonético, que conectou toda a rede de povos da Inglaterra à Grécia. Eram 22 sinais que, aperfeiçoados, viraram o alfabeto grego, criado por volta de 800 a.C. e composto de 24 letras, entre vogais e consoantes.

Em 300 a.C. foi criado o alfabeto romano-arcaico. Com base no alfabeto grego, eram cerca de 21 letras, entre vogais e consoantes, e escritas em maiúscula. E foi aqui, também, que surgiram as serifas. Com o passar do tempo, criaram as letras cursivas e, com elas, as letras minúsculas. Era uma necessidade de acelerar a escrita de documentos e, para evitar confusão na leitura, as letras ganharam hastes ascendentes e descendentes.

O caminho da escrita é longo e, na Idade Média, acontece o surgimento de uma série de fontes. Nesse período existiam os monges copistas, que escreviam e copiavam a mesma história várias vezes. É interessante pensar que cada livro escrito trazia a letra de alguém e, muitas vezes, poderiam ser escritas palavras diferentes (e aí se tinham versões diferentes da mesma obra). E nessa época surgem conceitos utlizados até hoje, as letras cursivas, as ornamentadas e as capitulares (essas últimas, bem enfeitadas).

Como a escrita dos manuscritos foi aumentando, também era necessária uma escrita uniforme. No século XI foi criada a letra gótica, entendida, posteriormente, como fonte para ser aplicada em textos litúrgicos. Foi desenvolvida, então, uma fonte para outras publicações, intitulada bastarda. (!)

Depois de passarmos por essas etapas sobre a criação da escrita, penso sobre a cultura da impressão e, de alguma forma, a evolução da impressão. Desde os sumérios já eram utilizados cilindros com negativos das impressões, mas nada muito gigantesco, geralmente apenas uma inicial para marcar de quem era aquele material. Na Idade Média, as impressões eram tabelas pesadas, um bloco de pedra apoiado sobre uma matriz de impressão já com tinta para transferir uma imagem para um pergaminho.

No meio disso, um moço chamado Johannes Gutenberg começa a pensar numa impressão baseada em tipos gráficos pré-determinados, e monta um modelo baseado nas prensas de extração de uva para a fabricação de vinho, porque era algo que estava familiarizado. Inventando os tipos gráficos, Gutenberg seguiu experimentando a forma de impressão até montar um aparelho que funcionava de fato. Pesquisou sobre papel e tintas e como essas tintas se comportavam com relação à absorção, para assegurar a precisão de traços na impressão. Também buscou uma forma de secagem rápida e permanência da tinta no papel. Testou se pigmentos com base de azeite, e esses foram utilizados não só para imprimir as matrizes, mas também as capitulares e ilustrações feitas de forma manual com papel. A bíblia, primeiro livro impresso por Gutenberg, demorou cinco anos para ser finalizada.

A impressão constituía, então, uma porção pequena com relação às atividades gráficas entre os séculos XVI e XVIII. Grande parte do produzido eram folhetos, cartazes, anúncios, formulários, bilhetes, certificados e outros impressos considerados findáveis. Mesmo sendo uma porção pequena, a impressão começou a multiplicar textos e objetos desconhecidos, tomando uma maior proporção e ganhando espaço, pois os textos começavam a se tornar familiares para outras pessoas. Em cidades com maior movimento, a escrita impressa tomou conta de espaços públicos.

Muitos gêneros, como antologias poéticas e folhas de notícias ainda eram feitas em manuscritos, pois dessa forma era mais barata e não havia (ou havia em menor quantidade) a censura. Só que esses manuscritos, toda vez que eram feitos, os novos apareciam com revisões e acréscimos. E, com o tempo, a impressão foi tomando mais espaço, justamente pela unificação do texto e exatidão proposta pela técnica.

Embora tenha trazido consigo as características do manuscrito, o livro impresso tinha inovações que, de alguma forma, modificava a relação do leitor com aquele material. Na impressão, obras de um mesmo autor eram reunidas em um título impresso e ficava muito mais fácil para o leitor encontrar os textos em um lugar só. Isso foi fazendo com que as pessoas substituíssem o manuscrito pelo livro impresso.

A invenção de Gutenberg permitiu uma impressão em grande escala e a difusão de materiais impressos que não eram, necessariamente, livros. E não devemos atribuir a essa criação da prensa e dos tipos móveis as inovações textuais, como índice remissivo, tabela, numeração de páginas, por exemplo, pois esses costumes já acompanhavam as publicações séculos antes (desde a invenção do códice). O livro impresso permitiu novas possibilidades, como folhear a obra, encontrar trechos com mais facilidade e usar um índice como recurso.

O caminho do livro está em constante adaptação. As mudanças, com o tempo, são bem-vindas e nós aproveitamos as possibilidades de criação e trabalhos gráficos. Quanto mais possibilidade, melhor. O importante, mesmo, é ter espaço para publicar e difundir os escritos - e isso pode ser assunto para outro texto.

 
 
 

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